Sobre parcerias chinesas e moda independente

Em 2013 recebi meu primeiro pacote chinês: da She Inside (hoje SheIn), com um blazer preto e uma jardineira preta de couro, peças que tenho e uso até hoje. Este momento foi super significativo pra mim, foi a primeira vez que eu tinha ganho algo com o blog - e a isso devo agradecer imensamente ao Pedro que me ajudou e apoiou tanto, quando eu não acreditava que o blog poderia chegar mais longe. Foi um momento muito especial, parece que foi um "sim" pro meu trabalho com moda.

E por vários anos fiz parcerias com sites chineses, ganhei muita coisa e isso foi legal por bastante tempo. Mas ano passado comecei a passar por muitas mudanças relacionadas à moda, principalmente ao meio de produção de moda.

Quando comecei a fazer essas parcerias eu ficava abismada com o preço das roupas ser tão baixo, mas não parei para pensar como seria a produção dessa roupa. É um assunto recente as denúncias à escravidão em função da indústria da moda, recente demais pro tanto que isso acontece. As primeiras vezes que li algo a respeito eu me sentia mal com fazer parte disso, mas a ganância e vaidade conseguiam anular isso por um tempo, mas ao longo que eu tenho estudado e visto mais sobre consumo consciente, moda limpa, se tornou impossível ignorar esse sentimento ruim.

Claro que não julgo quem ainda compra, seria hipócrita da minha parte, ainda mais que eu com o blog posso ter influenciado outras pessoas a comprarem. Mas hoje eu não consigo mais ignorar o fato de pessoas serem feitas de escravas, morrerem por condições absurdas de trabalho, crianças que crescem em fábricas aos pés das mães que não têm outros meios de sobreviver. Eu não consigo mais engolir que outra pessoa sofrendo seja justificativa para eu economizar meu dinheiro num vestido mara.

Por isso eu acabei com todas as minhas parcerias gringas. Eu não podia continuar compactuando com isso e hoje estou mais próxima de marcas independentes, de produção pequena, mas que valoriza quem costura, quem cria a peça, quem vende. São peças mais caras? São, nem se compara um vestido de 250 com um de 30 reais. Mas pra mim vale cada centavo. Sei que desse dinheiro que eu paguei ele vai ser distribuído de forma justa e vai ajudar na renda de pessoas que ralam para fazer uma moda criativa e limpa, não para super empresários que já são milionários.

Hoje quando opto por comprar algo sempre prefiro de marcas que conheço, que tenham um conceito interessante e originais. Eu fico longe não somente de sites chineses, mas de lojas de departamento também. Aqui no Brasil também há fábricas de lojas que usam mão de obra escrava, não posso apontar o dedo e dizer qual, mas por via das dúvidas, vamos onde temos certeza.

Eu tenho um profundo agradecimento às marcas chinesas com as quais trabalhei, eles depositaram a confiança deles em mim, mas só não podia mais continuar. E achei justo falar isso aqui.

3 comentários

  1. Manu tudo bem? De onde são essas fontes que você falou sobre as lojas chinesas que trabalham com mãos escravas?

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    1. Se a peça é barata é porque tem mão de obra escrava. Muito trabalho com pouco custo, para que as peças possam ser vendidas baratas e ainda assim os donos das lojas enriquecerem.

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  2. E tema a ser descutido, deixar de comprar de lojas chinesas eu até entendo, porém fico pensando que quase tudo que consumimos hoje em dia principalmente tecnologia, até as maquinas de costura que usamos aqui no brasil para confeccionar as roupas, são de origem chinesa. Supondo que realmente tem exploração de mão de obra lá, vou ter que deixar de comprar maquinas de costura, computador, celular. E sem falar da 25 de março quase tudo made china. Sou a favor de divulgarmos mais as lojas e marcas brasileiras, SO QUE, elas não dão oportunidades para os blogs medios a pequeno, somente a um pequeno grupo de blogueiras e youtuberes que nem usam as tal peças. A maioria das marcas e lojas brasileiras riem da cara das blogueiras, nem sabe o que e marketing digital, acha que somos um monte de faz nada,AI FICA DIFICIO.

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