Somos todos Paralímpicos

A Vogue é uma publicação que amo, no quesito de comunicação de moda é uma das mais bem posicionadas do seguimento. Amo a construção visual que a revista faz, os editoriais de produz que são uma fonte de inspiração pura pra vida.

Mas em se tratando de vários assuntos fora este âmbito, ela peca. E muito. Nem declarei minha opinião aqui a respeito do Baile da Vogue deste ano que teve o tema África Pop, que rendeu muitos looks belíssimos sim, às custas de uma cultura riquíssima que é apropriada por gente que não tem a menor ideia do que é ser áfrica. Mas deixei quieto isso, mas hoje a revolta foi tanta que não pude me calar.


"Somos todos paralímpicos", esse lema "somos todos" já foi usado em diversas campanhas, algumas com uma enorme repercussão positiva, provavelmente o que fez ele ser adotado. Mas há um grave erro aí: não somos. Uma grande parte de nós tem todos os membros do corpo em plena função de andarmos na rua sem olhares de pena e preconceito, provavelmente não é esse tipo de diferença que dificulte nossa vida social e amorosa, não é isso que nos tira a vaga de emprego. Nós não sabemos o que é viver diariamente com uma necessidade especial que é tão mal vista pelas pessoas.

Mal vista porque é ingenuidade dizer que o preconceito não existe. Ele existe e nós temos que lutar todos os dias para que ele se reduza, como várias formas de preconceito. E as paraolimpíadas são uma oportunidade de ouro para dar espaço e voz para atletas que conseguiram superar as barreiras do "você nunca vai ser capaz de fazer isso" e mostrar que todos conseguem sim. Então por que não exaltar estes atletas? Por que não mostrar a história deles? Porque claro, muito mais fácil que retratar alguém real com lutas e histórias reais é pegar alguém bonito dentro dos padrões da mídia para tornar este assunto mais "tragável" ao público, e claro -essas personalidades ainda terem uma estrelinha dourada na testa de porta voz de uma causa que eles não têm a menor propriedade de representar.

E não é que eles não possam apoiar, mais que podem, devem, todos nós. Mas quando se trata da luta de uma minoria que sofre algum preconceito, a maioria que não sofre deve apoiar abrindo espaço para essas pessoas poderem falar, e nós devemos garantir que esse espaço exista, não nós mesmos ocuparmos. A Vogue tem uma visibilidade mundial, eles poderiam usar isso e colocar atletas reais lá, não usar atores já conhecidos pelo público tomando o espaço que alguém poderia ter tido.

A Playboy foi uma que deu um show hoje, mostrando a nadadora Camille Rodrigues que irá competir nas paraolimpíadas, uma aposta do ouro para o Brasil.


Como disse alguém aí na net "Vivi para ver o dia que a Playboy deu close certo e a Vogue não".

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