A indústria da moda e seus padrões de magreza e altura absurdos

Novidade não é que o mercado da moda impõe padrões de corpos fora do normal a décadas. Apenas 3% da população mundial tem o tipo físico que vemos em passarelas internacionais (vulgo: pelo menos 1,75 de altura e 88 cm de quadril). Nada disso é novo pra você, mas é mais bizarro ainda quando se está do lado de dentro.

A alguns dias eu participei de um circuito de desfiles que aconteceu aqui em Brasília, o evento foi maravilhoso, não entendam que estou criticando isso. Desfilaram marcas até do Rio com a Lenny Niemeyer, então a cobrança com as modelos também era alta. E para o mercado tradicional, eu não sou o padrão, "sou baixa e gorda".

E isto é o absurdo, sou uma mulher de 1,72 de altura que visto 36 -cara, 36 não deveria ser gorda nunca nessa vida- mas atualmente tenho 95 cm de quadril, um exagero de bunda e coxa para o meio. E quando fui selecionada para esse casting me pediram para emagrecer em 4 DIAS, o que é impossível, nem de maneira não saudável eu não conseguiria perder as minhas coxas. Então eu mantive a alimentação da maneira mais regrada possível, e era isso que eu podia fazer.


Confesso que me sinto mais bonita quando estou mais magra do que atualmente, de fato gosto de pernas finas, costelas aparecendo, mas eu reconheço que isto não é um tipo de corpo normal, acessível, que deveria ser o padrão. Como modelo, eu apoio mais do que tudo a quebra dos padrões do mercado da moda, a normalização dos corpos "plus size" (o que é ridículo também ser chamado assim, porque as modelos plus vestem 42) porque essa compulsão por magreza maltrata as mulheres de fora e de dentro deste mercado. Algumas meninas são magras por natureza, comem horrores e continuam vestindo 34, mas algumas -como eu- não, eu tenho um biotipo que tem muita bunda e muita perna em proporção ao resto do corpo e sei o quanto me dói ouvir que não peguei um trabalho porque meu corpo é muito grande e principalmente por eu ser baixa, mas isto eu não posso mudar.

É irreal sim o que temos que ouvir como padrão de corpo, de ouvir que eu não posso fazer um casting porque não tenho o mínimo 1,75 necessários. É frustrante porque não temos nem a chance de nos mostrar boas ou más modelos porque nossa altura já nos eliminou. E a minha altura não é pouca, no mundo real eu sou uma pessoa alta, eu sou uma pessoa já magra, e a pressão de termos corpos perfeitos é o que as vezes nos limita de ter o ganha pão.

Fica aqui o desabafo e o desejo de mudança, porque a pressão psicológica que as mulhers sofrem por causa deste mercado é cruel.

3 comentários

  1. Esse mercado é mesmo cruel, mas como disse, você tem muito mais a mostrar do que aquilo que pode ser visto nas passarelas. Você sim é uma modelo por completo, entende de moda, tendência, comportamento, só consigo imaginar você daqui uns anos sendo chefe de alguma revista famosa, rsrsrss. Acredito que essa limitação imposta pelo mundo da moda está aos poucos sendo desconstruída, basta olhar a quantidade de marcas que têm usado como modelos personalidades influentes na mídia, como blogueiras e youtubers. A gente está vivendo uma nova era também, que têm priorizado, precipuamente, a criatividade. Não tenho dúvidas de que você está preparada para esses novos tempos.
    Karine Marques

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    1. Nossa Karine, você não tem noção do quanto você encheu meu coração agora. Eu escrevi esse texto em completo desabafo com a minha frustração trabalhando como modelo e receber esse elogio seu me encheu de amor, esperança e estou muito honrada por você falar isso de mim. Muito muito obrigada por esse carinho. Você fez meu dia

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